Amor-Próprio

AMOR-PRÓPRIO
Helci Rodrigues Pereira

 O sujeito quer ser grande - sente-se pequeno.
Quer ser “o tal” - percebe não ser nada.
Deseja ser feliz, e vê-se miserável.
Almeja a perfeição - incomodam-lhe os defeitos.
Tem sede de virtude - de vícios vive inebriado.
Tal consciência o aguilhoa, embaraça e fere,
e, não podendo da mesma arredar-se,
põe todo o seu cuidado em encobrir,
a si e aos outros, as suas falácias,
sem suportar que o façam vê-las
e muito menos que as vejam.
Em conseqüência:
O homem insiste em enganar-se
a si mesmo e a querer, morbidamente,
que os outros se enganem,
estimando-o muito mais do que merece.
Destarte, o sentimento das imperfeições
fá-lo odiar a desagradável verdade do seu ser
e aqueles que a ousem proclamar,
preferindo, desejando, de forma doentia,
que as pessoas se iludam a seu favor,
e o tomem por alguém que jamais foi.
É este o propalado próprio amor,
que leva o homem a não amar
e a não considerar senão a si.

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