RE-EQUILÍBRIO PELO AMOR
RE-EQUILÍBRIO PELO AMOR
Helci Rodrigues Pereira
Referimo-nos, em nosso trabalho sobre personalidade desajustada, às várias causas dos desajustes que nos fazem, muitas vezes, infelizes.
Agora, vamos opinar a respeito das possibilidades de reajuste, de re-equilíbrio pessoal. São três caminhos principais: o do Amor, o do Trabalho e o do Esquecimento. Tratemos do primeiro caminho.
O amor é o primeiro caminho para o reajuste da personalidade. É uma verdadeira terapêutica, porque o amor que experimentamos por alguém deixa em nosso EU um depósito que o amplia e o amadurece. Isto significa o seguinte: quando amamos, adquirimos uma nova e saudável perspectiva de nós próprios; sabemos como queremos que a pessoa amada nos perceba e tentamos transformar-nos para alcançar aquela imagem “ideal” presumida. Isso produz tranqüilidade e progresso em termos de crescimento.
Amar é um completar-se, uma satisfação de necessidades profundas em nós entranhadas. Por isso que, em geral, as pessoas se enamoram de outras cujas personalidades sejam o seu complemento. Por exemplo, uma pessoa forte e impetuosa ama a fraca e tímida por meio da qual vai se realizar. Espiritualmente, nós nos sentimos fracos e impotentes e passamos a amar a Jesus Cristo, que é forte e poderoso e que nos pode completar e nos ajudar em nossa realização como ser humano.
Paulo, apóstolo, afirma a força integrativa do amor de forma magistral e tocante, em sua primeira Epístola dirigida aos seus irmãos de fé da cidade de Corinto, na antiga Grécia, no istmo que liga o Peloponeso ao continente. Deliciemo-nos com as suas afirmações, no capítulo 13 da referida carta:
“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa e como que tine.
E ainda que tivesse o dom de profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria..
E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para o sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo0 para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
Não se porta com indecência, não busca seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor nunca falho “.
Releia, por favor, o texto retro. Reflita nele!
Em síntese bem apertada, é como se Paulo tivesse dito: se tudo eu fizesse, mas não vivesse o amor, não experimentasse o amor, continuaria em desajuste; permaneceria como um frustrado, um emocionalmente perturbado. Mas, se eu aprender a amar, encontrarei o caminho do equilíbrio de minha vida, porque, então, eu serei paciente e benigno em meus relacionamentos pessoais; não me deixarei afrontar pelo ciúme, nem pela soberba; não me irritarei debalde, não serei invejoso, nem a ninguém desejarei o mal; saberei como sofrer as intempéries da vida, exercerei a minha fé e a minha esperança e sobretudo, aprenderei a tudo suportar de cabeça erguida; assim serei vitorioso e gozarei de equilíbrio vero.
Helci Rodrigues Pereira é Pastor, Advogado, Professor,Escritor e também autor dos livros "Pastorais", "O Ser Humano - Reflexões" e "Expressões do Recôndito".
