ECONOMIZAÇÃO

31/05/2010 19:10

ECONOMIZAÇÃO
Helci Rodrigues Pereira

No artigo sobre o lado econômico do ser humano, dissertamos sobre o fato de que o ser humano é uma personalidade constituída de um complexo de estruturas básicas, entre as quais a econômica.

Na oportunidade, encarecemos a importância da harmonia e integração daquelas estruturas básicas, sem preponderância exagerada de nenhuma delas, para que o ser humano mantenha a sua homeostasia, o seu equilíbrio pessoal e contribua, destarte, para o equilíbrio social.

Chamamos a atenção para o perigo da hipertrofia do economismo sobre  a moral, a ética e o espírito. Demos prosseguimento.

A hipertrofia do economismo representa o desdém pelas leis morais  e a redução do problema da moral a uma questão puramente econômica. Já o cristianismo reconhece o valor da economia, mas coloca a moral e o espiritual em primeiro lugar.

A hipertrofia do economismo representa a liberação de todos os obstáculos à livre expansão das forças econômicas, enquanto que o cristianismo defende uma limitação justa de toda a atividade econômica.

A economização subordina os valores espirituais aos materiais, as necessidades do espírito às físicas. O cristianismo, por seu turno, ensina que a economia resolve muitos problemas e atende a muitas necessidades, mas que há necessidades que ela não pode satisfazer.

A economização vê a riqueza como um fim em si mesma, a sociedade como um fim e o homem como um fim, em qualquer relação transcendental, ao passo que o cristianismo assevera que o homem não se realiza totalmente na história e que há um fim transcendental e superior as tudo.

A economização sacrifica o homem à economia, o cristianismo prega que o homem é uma personalidade inviolável e irrefragável e que a ele tudo se deve sacrificar, respeitados os limites da ética e da verdade, na consecução dos seus fins últimos.

O aplaudido e inesquecível Alceu Amoroso Lima faz uma citação de Sortillanges, o qual, estudando o socialismo, que é a forma mais pura da hipertrofia do economismo moderno, em face do cristianismo, mostra três pontos principais de distinção entre um e outro:

1º) Com relação aos sentimentos – o economismo se caracteriza pelo ódio e o cristianismo pelo amor.

2º) Com relação à sua proclamação – o economismo prega os direitos e o cristianismo os deveres.

3º) Com relação aos objetivos – o economismo reforma as leis e o cristianismo, o homem.

Referimo-nos, em artigo anterior, ao fato de que Jesus não tinha qualquer preconceito com relação às coisas materiais, aos bens, às riquezas, à propriedade privada. Muitos dos seus ensinos abordaram temas relativos a tais assuntos e aos problemas sociais das pessoas.

Sobre isto desejamos dissertar proximamente, quando, então, apresentaremos alguns princípios de economia esposados por Jesus e manifestos em seus ensinamentos e em suas ações.   


Helci Rodrigues Pereira é Pastor, Advogado, Professor,Escritor e também autor dos livros "Pastorais", "O Ser Humano - Reflexões" e "Epressões do Recôndito".

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