O PSICOPATA É ASSIM

O PSICOPATA É ASSIM
 
Helci Rodrigues Pereira

     “Todos nós nascemos originais e morremos cópias”.
Carl Jung

Alegre, otimista, cordial, de humor exacerbado e autoconfiança exagerada; hiperativo, embora inconstante, muito irrequieto e pouco laborioso, de conduta leviana, volúvel; muita vez litigioso - mais por gostar de querelar do que por motivos devidamente definidos -; assim é o psicopata hipertímico.

Falto de confiança em si mesmo e nos outros, e, por isso mesmo, pessimista e céptico em relação à vida; às vezes melancólico, descrente do mundo e dele próprio, bastante pessimista, mas ao mesmo tempo indulgente e compreensivo para com o sofrer alheio; outras vezes exageradamente descontente, frio, egoísta, sombrio e cruel, até mesmo contente com o mal que se abate sobre os outros; depresso, desconfiado, triste e descontente, costumando atribuir ao ambiente externo a culpa do seu estado e olhar com descrença e indisposição tudo o que se refere aos acontecimentos que se dão ao seu redor; assim é o psicopata depressivo, hipotímico.

Caracterizado por humor extremamente variado, e até imprevisível, tomado de crises depressivas inesperadas e violentas; impulsivo, entregue à dipsomania - tendência a beber, habitual em indivíduos desequilibrados e ciclotímicos; toxicômano, em busca de alívio fugaz e, muitas vezes, cleptômano, furtando objetos banais, e pirômano, impulsionado a deitar fogo em qualquer coisa; é assim o psicopata instável de humor, de antanho como lunático conhecido.

Outro, é tendente à neurose obsessiva e distingue-se pelos chamados “fenômenos coagidos”, seja, pelo “dever” indomado, incoercível de fazer, pensar e dizer coisas contrárias à razão ordinária. É, de comum, pedante, meticuloso, escrupuloso sem medida, supersticioso e possuidor de uma conduta dominada por uma coerção psíquica que o atormenta e penaliza. Tal é  o psicopata psicasténico ou anancástico.

Temos, também, o deficitário do sentimento de seu próprio valor. Aquele que, sendo inteligente, capacitado, culto, sensível, sente-se, no entanto, fraco, incapaz e tímido, de forma a imprimir à sua vida uma atitude mesquinha de resignação e renúncia, evitando qualquer tipo de confronto com a realidade pelo medo irreprimível de ser derrotado, pelo temor de parecer ridículo. Por isso, contenta-se, profissionalmente, com posições marginais, quando, na verdade, teria condições de ocupar postos ou posições mais importantes. Este é o psicopata inseguro.

Vem, a seguir, aquele vizinho afixado nas enfermidades. Sempre a presumir que está doente ou que vai adoecer, não pode se “arriscar” em divertimentos, festas, passeios, viagens, etc., a fim de evitar fadigas e contaminações. É, de contínuo, preocupado com “viroses”, epidemias, doenças de toda ordem e por esse motivo tem sua farmácia particular/ambulante e acha-se, constantemente, à procura do seu médico ou de muitos esculápios ao mesmo tempo. Resultado: é um irritável, nervoso e vitimado por constantes “ataques neurastênicos”. Estamos falando do psicopata asténico, que tem o seu protótipo no “doente imaginário” de Molière.

Vamos encontrar, alhures, o “farsista”, o “ator”, o histrião. É, psicologicamente, dependente da atenção, da estima, da inveja, da preocupação dos outros em relação à sua pessoa, motivo porque vive a se esforçar, usando várias máscaras, para exercer os mais variados papéis, contanto que consiga atrair a “cortesia”, a “consideração”,

o “respeito” e o aplauso daqueles de sua convivência. Em sua ficção, em seu mundo irreal, é um “cientista”, um “herói”, um “perseguido”, seja o que for, no escopo de que os outros se ocupem, de alguma forma, de sua pessoa, de sua fantasia. Em virtude disso, ele é um excêntrico em todos os aspectos, um “existencialista”, um intelectóide, um sofisticado, um gabola, um ingênuo, um mitômano; Ele é um egocêntrico por excelência, que criou uma ficção a respeito de si mesmo e que, afinal, acha-se convencido de que seu devaneio virou realidade. É o psicopata histriônico.

Encontradiço é o tipo de pessoa fraca de vontade, caracterizada por indecisão e incapacidade de agir, seja com relação a um ato particular ou a um sistema de atos - abulia sistematizada -, seja relativamente aos movimentos de um membro - abulia localizada -, seja referentemente a todas as ações e formas de pensar - abulia generalizada. É alguém que nunca sabe realmente o que quer e, como caniço ou palha, é levado para um lado e para outro de acordo com os ventos que estejam a soprar. É o psicopata volúvel.

Não percamos de vista o fato que freqüentemente um psicopata pode apresentar sintomas de mais de um tipo de reações, na medida em que determinada personalidade exibe elementos que a poderiam enquadrar em mais de uma das categorias descritivas de psicopatas acima sintetizadas.



Helci Rodrigues Pereira é Pastor, Advogado, Professor,Escritor e também autor dos livros "Pastorais", "O Ser Humano - Reflexões" e "Expressões do Recôndito".

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