A CONQUISTA DO EU
A CONQUISTA DO EU
Helci Rodrigues Pereira
“Mais forte do que o que vence é o que consegue não lutar”.
Romina Carneiro
"Melhor é o que governa o seu espírito do que o que toma uma cidade" - palavras do grande sábio, rei de Israel, Salomão, em Provérbios 16.32b.
Certo monarca, visitando o reino de Esparta, cidade da Grécia antiga, capital da Laconia, no Peloponeso, interessou-se muitíssimo em saber o segredo da resistência férrea dos soldados espartanos. Foi-lhe dito residir numa sopa preta que era parte da ração diária. Insistiu o monarca em prová-la. Mas, qual não foi a sua decepção ao levá-la à boca. Era simplesmente intragável.
Não se impressione! Explicou-lhe o anfitrião, com ironia. E acrescentou: "O tempero desta sopa consiste em rígida disciplina pessoal!".
Assim era, de fato. O monarca, afeito a uma vida fácil, rodeado de luxo na Corte, não poderia apreciar aquela sopa. Sem essa disciplina rígida, sem essa conquista de si mesmo, os soldados espartanos jamais teriam escrito a página imortal das Termópilas. Enquanto outros, que não tivessem autodomínio, prefeririam uma retirada humilhante do campo de batalha ou uma fuga justificável, aqueles heróis preferiram manter sua posição até o último homem!
"Domínio próprio é coragem em outra forma", disse alguém. Assinamos por baixo.
Pitágoras, o filósofo pesquisador, sentenciou, um dia: "Nenhum homem é livre que não se pode dominar".
É um mal antigo e, ao mesmo tempo moderno, a falta de autodomínio. E sabemos que aquele que é escravo de suas paixões e dos seus instintos nega sua própria liberdade.
Sansão é uma figura bíblica, na história dos hebreus, que ilustra perfeitamente bem que "aquele que é dominado por suas paixões é homem fraco". Seu poder físico era o máximo. Suas proezas foram maravilhas bem notórias; estrangulou um leão à mão desarmada; massacrou trinta homens, de uma só peitada; queimou os campos dos filisteus; matou mil homens, numa refrega, com apenas uma queixada de jumento; removeu os portões da cidade de Gaza e derrubou o templo de Dagon. Sim, demonstrou ser homem mais do que forte.
Mas, a sua grande tragédia foi não ter aprendido a dominar-se a si mesmo, a vencer suas fraquezas emocionais, e, por isso, fracassou terrivelmente, caindo nas mãos dos inimigos, pela traição de Dalila, sua esposa. Sansão caiu nas mãos inimigas porque não caiu em si mesmo.
Temos, na História, ainda, o exemplo de Alexandre da Macedônia, que conquistou praticamente todo o mundo civilizado do seu tempo em apenas dez anos, porém jamais se conquistou a si mesmo: morreu, na Babilônia, aos trinta e dois anos, de apoplexia, dominado pela comida e pela bebida, ante as quais não conseguia se controlar, tendo que almoçar quatro ou cinco vezes ao dia, pelo prazer de comer.
Sansão e Alexandre não se sujeitaram à disciplina própria. Tiveram de ser disciplinados pelas circunstâncias da vida.
"MELHOR É O QUE GOVERNA O SEU ESPÍRITO DO QUE O QUE TOMA UMA CIDADE".
Meditemos nesse fato e tiremos algum proveito!
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Helci Rodrigues Pereira é Pastor, Advogado, Professor,Escritor e também autor dos livros "Pastorais", "O Ser Humano - Reflexões" e "Expressões do Recôndito".
