A PRÁTICA HOMOSSEXUAL NA HISTÓRIA

A PRÁTICA HOMOSSEXUAL NA HISTÓRIA
Helci Rodrigues Pereira


Há algum tempo, em matéria publicada pela Tribuna de Alagoas, a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis (ABGLT), veio a manifestar veemente e justo repúdio à atitude de um dos líderes espirituais de Maceió que, em comentando a respeito de um projeto de parceria civil entre pessoas do mesmo sexo, para salvaguarda de interesse de natureza patrimonial, exorbitou-se em comentários deselegantes, pejorativos, aéticos, desairosos e nada cristãos em relação às pessoas que se sentiram ofendidas.

Coerente com as colocações que fizemos em nosso artigo intitulado O DIREITO DE SER, publicado na Tribuna de Alagoas, do pretérito dia 17, mantemos o firme entendimento de que o livre arbítrio nos proporciona o direito de ser e de exercitarmos as nossas vontades, desde que a ninguém venhamos com isso prejudicar. De outra banda, é direito inalienável dos demais, ao nosso redor, o de concordarem ou discordarem de nossas opiniões e de aceitarem ou não para si aqueles comportamentos tidos por nós como excelentes. A ninguém pretendamos nada impor!

A propósito do tema, perlustremos a História e verifiquemos seus informes sobre a prática homossexual, que se perde de vista na bruma dos tempos.

No antigo Egito, os sacerdotes mantinham relações do gênero, nos templos, com os adoradores de Ísis, num cerimonial disseminado por todo o Mediterrâneo. Tais práticas tornaram-se comuns na Ásia, sobretudo entre os egípcios, e mais tarde entre os heróis mitológicos, os filósofos gregos e os imperadores romanos.

Da Ásia, o homossexualismo associado ao culto aos deuses passou para a Grécia, aclimatando-se mais nas cidades em que a população era em grande parte asiática, as quais mantinham um comércio mais freqüente com a Ásia, recebendo, destarte, maiores influências. Na Fenícia, Síria, Chipre, Ásia Menor, Corinto, etc, as práticas homossexuais eram um dos elementos no culto daquelas divindades que os gregos identificavam com a sua Afrodite.  

Platão, em suas Leis, escreveu: “Penso que o prazer que pode ser considerado natural é aquele que advém do intercurso entre homem e mulher; todavia, o intercurso entre homem e homem, ou entre mulher e mulher é contrário à natureza, e a ousada tentativa de praticá-lo se deveu originalmente a uma cobiça desenfreada. Os cretenses sempre foram acusados de terem inventado a história de Zeus e Ganimedes porque queriam justificar-se no desfrute de prazeres antinaturais pela prática do deus que eles consideravam seu legislador”.

Aí se acha a origem histórica do homossexualismo na Grécia antiga.

É de observar-se que os gregos não aceitavam a homossexualidade como uma virtude e o Código de Licurgo a proibia com extremo rigor, sendo os efeminados grandemente desprezados.

No século VII a. C., na ilha grega de Lesbos, temos a figura da poetisa Safo como o referencial de uma educação lésbica, focalizando especialmente o aspecto artístico e corporal, que logo cristalizou-se no lesbianismo sexual ou safismo.

Hoje, o homossexualismo, pode-se afirmar, é um comportamento sexual experienciado por pessoas dos mais diversos níveis sociais, econômicos, culturais, profissionais e religiosos.

Segundo um estudo estatístico realizado pelo zoólogo e sexólogo Alfred Kinsey nos anos de 1948 – 1953, trinta por centos dos americanos adultos já tiveram uma experiência homossexual, e dez por cento apresentam tal padrão de comportamento. O número das mulheres predominantemente homossexuais é a metade em relação aos homens.

Perece que tais dados permanecem constantes, desde a década de 1950, tendo crescido apenas a franqueza com que a preferência sexual passou a ser discutida e exposta. 


Helci Rodrigues Pereira é Pastor, Advogado, Professor,Escritor e também autor dos livros "Pastorais", "O Ser Humano - Reflexões"
e "Expressões do Recôndito".

Pesquisar no site